Manual de Comunicação LGBTI+ é lançado no Rio

 De acesso público e gratuito, manual traz novos conceitos e definições em relação à temática LGBTI

Com o objetivo de diminuir o preconceito, a discriminação e contribuir para uma comunicação mais inclusiva, foi lançado, na última terça-feira (26 de junho de 2018), o Manual de Comunicação LGBTI+. O manual visa apresentar aos veículos de comunicação, jornalistas e estudantes de jornalismo uma terminologia mais atualizada e correta sobre a população lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual e intersexual.  Mais de 150 pessoas estiveram no lançamento, que aconteceu no Hotel Vila Galé, na Lapa / Rio de Janeiro, e contou com a presença de lideranças e ativistas LGBTI.  O evento também teve a apresentação do seminário “Mídia, diversidades e cidadania LGBTI no Rio”, para discutir os avanços e desafios da comunidade LGBTI e a representatividade deste público na mídia.

“No seminário, pudemos dialogar com profissionais da área de comunicação e ativistas LGBTI sobre o que já avançamos, além de abordar quais são os próximos desafios e como podemos superá-los, tanto na mídia tradicional, como na mídia alternativa, Vamos Realizar outro seminário na área de comunicação, porém com as Mídias LGBTI específicas. Esperamos que o Manual de Comunicação LGBTI seja uma importante ferramenta de orientação aos profissionais de comunicação”, afirma Cláudio Nascimento, diretor de políticas públicas e cidadania da Aliança Nacional LGBTI+ e Coordenador no Brasil da Rede GayLatino.

O manual traz novos conceitos e expressões da comunidade LGBTI, como utilização de terminologias de gênero, definições dos conceitos intersexualidade, orientação sexual. “O manual vem para ajudar na comunicação entre a nossa comunidade, a imprensa e a sociedade em geral. É muito importante para diminuir o preconceito e a discriminação nas palavras e para saber fazer uma comunicação cidadã”, explica Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBTI e pós-doutor em educação, e organizador da publicação.

Bárbara Aires, assessora parlamentar e mulher transexual, aponta a dificuldade de profissionais de comunicação quando se trata do gênero. “Nas páginas policiais, as travestis são sempre colocadas no masculino e sempre é pontuado o seu nome de registro”, comenta. Ela explica que é importante readequar o discurso quando se pauta a temática LGBTI na mídia.

Para Marcelle Esteves, vice-presidente do Grupo Arco-Íris, a mídia desempenha um papel fundamental, no que se refere à visibilidade LGBTI. “A grande preocupação é a maneira que eles [a mídia] abordam a questão. Ter um cuidado para não cair na representação estereotipada dos gays, das lésbicas, travestis e transexuais, principalmente, por uma mídia que entra em milhares de casas do nosso país”, completa.

Fernanda da Escóssia, jornalista, professora da Ibmec-Rio e palestrante do seminário observa que a diversidade ficou fora da prática jornalística e aponta a necessidade de inclusão da diversidade como um valor no jornalismo. “Queremos que o jornalismo represente o conjunto da sociedade, não mais um jornalismo feito apenas por homens brancos. Agora, como professora e com meus alunos, tenho tentado levar esta preocupação com a pauta da diversidade”, conta Fernanda.

“A Rede GayLatino tem como preocupação central contribuir para construir climas e ambientes sociais favoráveis a um convívio de respeito a diversidade sexual em toda a América Latina. Também compreende que a discriminação é construída a partir da cultura da estigmatização das pessoas LGBTI. Assim, produzir o Manual de Comunicação LGBTI é parte de uma estratégia de enfrentamento do estigma com informações corretas e orientação de como abordar a temática da livre orientação sexual e identidade de gênero, especialmente na reprodução de narrativas mais inclusivas e que reconheça a cidadania da população LGBTI”, destacou Simon Cazal, secretário geral da Rede GayLatino.

O manual é uma obra inspirada em outros materiais de países da América-Latina, Estados Unidos e Brasil. O Manual de Comunicação LGBTI+ é uma realização da rede GayLatino e Aliança Nacional LGBTI, em parceria com outras instituições. O conteúdo do material conta com contribuições de especialistas na temática e é resultado de uma consulta pública. O acesso ao material é público e está disponível no site da Aliança Nacional. O lançamento do manual marca a semana do dia 28, data que celebra o Dia Mundial do Orgulho LGBTI.

As mesas de discussão foram compostas por Bárbara Aires (mulher trans e assessora parlamentar), Diego Cotta (jornalista), Camila Marins (jornalista e ativista lésbica), Marcelle Esteves (assistente social e vice-presidente do Grupo Arco-Íris), Wilson Pinheiro (editor-chefe do portal Comunicação Colorida), Fernanda da Escóssia (professora de jornalismo da Ibmec-Rio), Gilberto Scofield (jornalista e assessor-chefe de Comunicação da ANCINE), Marcia Villela (relações públicas e diretora da Target Assessoria de Comunicação), Cláudio Nascimento (graduado em filosofia e Diretor de Políticas Públicas da Aliança Nacional LGBTI e Coordenador Executivo do Grupo Arco-Íris), Sérgio Suiama (procurador da república no Rio de Janeiro), Toni Reis (presidente da Aliança Nacional LGBTI) e Simon Cazal (secretário-geral da Rede GayLatino e Diretor do Grupo Somos-Paraguai),  Felipe Martins (jornalista e editor da Revista Rio Gay Life e colaborador do Site Revista Fórum) e Renan Wilbert (jornalista. Administrador da Página Igreja de Santa Cher na Terra).

O evento foi uma realização da Rede GayLatino, Aliança Nacional LGBTI+, Grupo Arco-Íris, com apoio logístico do Hotel Vila Galé, da Target Assessoria de Comunicação, da Four X, da Paixão em Viajar – Agência de Viagens – e da GATARIA Photography, além da parceria institucional com a Câmara de Turismo e Comércio do Rio de Janeiro.

 

Texto: Target Comunicação e Grupo Arco-Iris de Cidadania LGBT.

Fotografias: GATARIA Photography

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ATO LGBT PELO ESTADO LAICO E CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA

A manifestação acontece na próxima quarta-feira (20/10) às 16h em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia.
A cada dois dias, um homossexual é assassinado em virtude de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Até quando o Estado será indiferente a esta realidade? O Fórum Estadual LGBT, entidade formada por 25 Organizações, está organizando um grande ato na Cinelândia para dar visibilidade a esta triste e sangrenta situação, de modo a sensibilizar a população de que vidas estão sendo tiradas pela simples ignorância, preconceito e discriminação.
O objetivo da manifestação – que terá muitos de seus ativistas pintados de tinta vermelha para simbolizar as inúmeras mortes – é chamar a atenção da sociedade de que a questão do Estado laico, democrático e de direito de fato se coloque como uma premissa para se discutir um projeto de nação, respeitando todas as religiões e garantindo uma desvinculação delas com o Estado e vice-versa.
As travestis são as principais vítimas desta violência, só nos últimos dois meses foram oito travestis assassinadas no estado do Rio de Janeiro. O expressivo número dos casos, assim como as cruéis e diversificadas formas dos assassinatos, é o penúltimo estágio do grande fluxo de violência a que estão sujeitas travestis e transexuais brasileiras.
Além disso, o ato reivindica um Estado que reconheça os direitos de todos e todas, respeitando as diferenças como elemento que enriquece a humanidade. Todos e todas por um país sem homofobia! Aprovação do PLC 122/06 já!

Serviço
ATO LGBT PELO ESTADO LAICO E CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA
Dia: 20/10/2010 (4ª feira)
Horário: 16h
Local: Cinelândia (em frente à Câmara de Vereadores do Rio)